quarta-feira, 4 de novembro de 2026

O meu sonho





O meu sonho


Não sei se ELE gosta do Mar....nunca lhe perguntei, mas sei que foi a Filosofia que nos proporcionou o encontro numa manhã de setembro, ali para os lados de um qualquer espaço de engrandecimento e consolidação  do saber e agir. 

Tinha um ar frágil e inseguro....mas suportava-o um futuro determinado pelo inquebrantável desejo de conseguir atingir o conhecimento, numa determinada área.

O seu sorriso aberto e iluminado desarmava os momentos que a vida acinzentava a minha existencia pelas dificuldades que, à época, teimava em me envolver.

Era a quietude em pessoa, o comprometimento e empatia que a qualquer um seduzia. Era a calma e a disponibilidade que afrontava de modo simples e despretensioso.

Era um ser éticamente de excelencia que  não só me fascinava pela raridade da sua entrega, mas também com quem aprendi a ver e a sentir o mundo que acontecia lá fora.

Um dia, uma eventualidade mal expressa ou, talvez, expressa mal no tempo, levou-nos à incómoda separação de diálogos que, afortunadamente, nos mantinham, sempre, ávidos  de uma saudável convivencia!

Nunca mais o vi....

....mas pensei-o muitas vezes e desejei a sua presença outras tantas! A sua humildade, a sua candura, o seu sorriso desinteressado, mas muito interessante, aportavam em mim momentos de serenidade e deslumbramento que, com alguma frequência, recordo. 

Hoje o sonho trouxe-o até mim!

E foi tão gratificante conversar demoradamente, tocar suavemente as suas mãos delicadas, sorrir tão ternamente e poder dizer muito baixinho que continuo a gostar muito....mesmo muito dele, que me orgulho das suas conquistas académicas e profissionais e que, mesmo do lado de cá, continuo com este sentimento mesclado de amizade, fascinio e um desejo impregnado do nós.

Há pessoas que nos fascinam e que temos o agradável prazer de com elas viver pedaços de vida nem que seja por um fino e elegante sentir de amizade. 

Há outras que, do fascinante en-contro acontecido, forjaram em nós um misto de alegria, admiração e orgulho que nem a distancia fisica e o interregno do tempo de con-vivencia nos permitem esquece-las e arrancá-las ao coração.

Hoje o sonho trouxe-o até mim e eu nem sequer revisitei Freud para entender o porquê. Não me importa....O racional e o emotivo nem sempre se separam como defendeu Descartes e poderão interligar-se no cerebro, já que o corpo e as emoções sustentam o pensamento,segundo afirma Antonio Damásio.

Hoje o sonho trouxe-o até mim!

E eu acordei tão...mas tão feliz! 

Com a leveza de uma borboleta, desiquilibradamente, esvoaçante....com a beleza de uma joaninha pintada de vermelho.... com a determinação deslumbrante de uma formiguita que num percurso, admiravelmente traçado....acredita que....

Um dia, quem sabe, talvez o encontre, novamente, agora já não num sonho mas numa presença de sonho....

Um dia talvez eu precise mesmo do seu saber especializado para cuidar do meu corpo em desiquilibrio, pela idade ....

Um dia, talvez....


LOLA