sábado, 1 de novembro de 2014

Porquê?



Porquê?

Se estavas bem aqui
e adoravas 
a solidão da montanha 
e o nascer do sol 
que te esperava em cada tarde 
que fugias do teu inquietante quotidiano

Se te via com um sorrir brilhante
tomando um café
saboreando o bolo doce 
do encontro

se te via chegar 
em cada abrir de porta 
e te sentia o olhar sereno e profundo

porque te levaram pela estrada fora
passando pontes 
que a distância  não pode resistir

porque te levaram de nos
de mim
desses momentos que preenchiam vazios e completavam esperanças 
e sonhos de, continuadamente, 
desejar o mistério 
de buscar em cada encontro...
que vagueava numa profunda inquietude 
de te querer olhar 

eternamente!

Porquê?







                                             Lola

Sorrir





Sorrir


Daqui a 50 anos eu ainda vou saber seu nome e vou me lembrar de todas as vezes que você me fez sorrir. Na minha memória, tão congestionada - e no meu coração - tão cheio de marcas e poços - você ocupa um dos lugares mais bonitos.


Caio Fernando Abreu


Pelos momentos que abraçamos

pelos sorrisos vividos

pelos diàlogos que sentimos

pelos silencios interpretados

pelos olhares que deslizamos no 

espaço

pelas perdas partilhadas

pelas lagrimas que te abraçaram

pelo andar, espontaneamente, 

pausado

pelo  momento na minha vida

pela surpresa da tua chegada

pela empatia que foi envolvendo o ser

Dificilmente...inutil mesmo 
procurar um outro olhar
nestes proximos anos...
porque não existe
porque não està aqui
porque não quero nenhum outro...
so mesmo, o teu sorrir 
e o teu nome
na serenidade da noite 
que espera
numa qualquer cadeira vazia 
de sonhos
 mas de onde eu, 
sorrindo 
te procuro

Onde?

No MAR...



Lola

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Pedro Abrunhosa - 'É Difícil' (Legendado)





                              É Dificil 

Quando todos vão dormir
É mais fácil desistir
Quando a noite está a chegar
É difícil não chorar

Eu não quero ser
A luz que já não sou
Não quero ser primeiro
Sou o tempo que acabou

Eu não quero ser
As lágrimas que vês
Não quero ser primeiro
Sou um barco nas marés

Hoje acordei, e senti-me sozinho
Um barco sem vela, um corpo sem ritmo
Amanheci e vesti-me de preto
Um gesto cansado um olhar no deserto

Quando todos vão dormir
É mais fácil desistir
Quando a noite está a chegar
É difícil não chorar

Eu não quero ser
A luz que já não sou
Não quero ser primeiro
Sou o tempo que acabou

Eu não quero ser
As lágrimas que vês
Não quero ser primeiro

Sou um barco nas marés

Adormeci, sem te ter a meu lado
Um corpo sem alma, guitarra sem fado
Um sonho na noite e olhei-me ao espelho
Umas mãos de criança num rosto de velho

Quando todos vão dormir
É mais fácil desistir
Quando a noite está a chegar
É difícil não chorar

Eu não quero ser
A luz que já não sou
Não quero ser primeiro
Sou o tempo que acabou

Eu não quero ser
As lágrimas que vês
Não quero ser primeiro

Sou um barco nas marés





Mas eu não vou desistir!

Quero continuar a olhar o MAR contigo!!!

Como um barco nas marés!

Afinal, não continuas desse lado da ponte que nos une?


                                             Lola




quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Saudade





Hoje vi-te a olhar o Mar e senti uma infinita...


Saudade


Magoa-me a saudade
do sobressalto dos corpos
ferindo-se de ternura
dói-me a distante lembrança
do teu vestido
caindo aos nossos pés

Magoa-me a saudade
do tempo em que te habitava
como o sal ocupa o mar

como a luz recolhendo-se
nas pupilas desatentas

Seja eu de novo a tua sombra, teu desejo,
tua noite sem remédio
tua virtude, tua carência
eu
que longe de ti sou fraco

eu
que já fui água, seiva vegetal
sou agora gota trémula, raiz exposta

Traz
de novo, meu amor,
a transparência da água
dá ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu sono



 MIA COUTO


Do Mar sinto o colorido da ausência
o sentido do mistério
a tormenta do cuidado
o porquê da distância
que não encurta nem se dilui nas ondas espuma 
de imendidão azul que ....
perdura e aproxima a alma 
numa doçura de encontro 
que ...
....continua sendo nosso!





                                                Lola