quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Provavelmente ...


Foto João Martins



Provavelmente ...

Muito provavelmente disse...
ou melhor nunca terei dito com frontalidade que gosto muito de ti!
Mas sabes? 
Não me perturba esse esquecimento
 de uma inconsciência 
tardiamente reconhecida!



Tirado DAQUI


Noite profunda!
Já dormes no cansaço 
de uma semana que teima em não passar 
chegando a um fim que tem tanto de passageiro como de desejado!
Provavelmente...esqueceste o mar que nos une
a serra que nos encontrou
a coincidência de espaços
a estrada que me mostraste
em palavras serenas e sorridentes
nos desejos 
 de projetos comuns!
Provavelmente, my dear
disse demasiadamente tarde 
que foste o melhor da minha vida...
e que...
apesar de muros levantados entre nos...
Gosto...
gosto mesmo muito de ti!

E depois?


Foto João Martins
                                              Lola


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Apetecia-me




Apetecia-me


DUAS VOGAIS
Apetecia-me um abraço brando
Uma carícia lenta

Um beijo longo.

Apetecia-me mais

Tu e eu duas vogais
Deitados num ditongo...


Apetecia-me
Dar-te simplesmente a mão
ouvir a tua voz chamar-me
tirar-te da penumbra desta distância 
que não abranda o querer
deste mar de emoções 
em que ondas se desfazem
na amplitude deste azul 
que me ofereces!

Apetecia-me mesmo
Sabes o quê?
Dizer-te num abraço 
que poderia ser só meu
(porque estarás já dormindo)
que o teu olhar me reforça
a tua meiguice me conforta
a tua voz de cetim me torna....

....inexplicavelmente LINDA!




                                             Lola



sábado, 17 de outubro de 2015

Coimbra





Coimbra eu e o Futuro

Não sei que futuro me espera em Coimbra. No entanto, ainda que passem anos, as memórias são concretas. Passeio por elas como aqueles que, neste momento, de montra em montra, atravessam a Rua Ferreira Borges. Quer sigam na direção do Largo da Portagem ou da Rua da Sofia, é quase certo que vão debaixo de claridade limpa. É sempre assim que recordo Coimbra.
Quando o meu pai estacionou o carro na universidade, eu tinha doze anos e, também então, não sabia que futuro me esperava em Coimbra. Dessa viagem, lembro o assombro perante a Biblioteca Joanina e, com a ajuda de uma fotografia que está na casa da minha mãe, lembro a pose que fizemos diante das Escadas Monumentais: os meus pais com penteados que nunca mais voltaram a ter, as minhas irmãs a serem umas raparigas, eu de calções e sandálias.
Mais tarde, havia de passar muitas vezes por essas escadas. Com vinte e poucos anos, não me cansava a subi-las. À noite, ia aos concertos na Cave das Químicas ou a outros lugares cheios de estudantes, pouco mais novos do que eu. Sem ser estudante, ninguém me pedia cartão nas muitas vezes em que decidia jantar na cantina amarela. De manhã, comprava o Diário de Coimbra e tomava o pequeno-almoço na Pastelaria Vénus, em Celas. Logo a seguir, com o autorrádio sintonizado na Rádio Universitária de Coimbra, conduzia até ao início da Estrada da Beira e, depois, ida e volta entre Coimbra e Lousã, onde era o professor mais novo da escola.
Esse foi o ano em que o meu filho mais velho nasceu. Deixei uma aula a meio e não senti o caminho até à Maternidade Daniel de Matos. Assisti ao parto. Nasceu às nove da noite de um dia de fevereiro que só poderei esquecer quando tiver esquecido tudo o que existe.
Não é difícil comparar a passagem do tempo ao Mondego. Nas suas margens, o meu filho cresceu, longas tardes de domingos no parque infantil. Mas a memória não partilha dessa serenidade. A memória é muito mais desordenada do que o tempo, muito mais selvagem. Talvez por isso, as margens do Mondego também são a farra da Queima das Fitas, o silêncio absoluto do Choupal ou a inocência do Portugal dos Pequenitos, a caminho do Convento de Santa Clara.
Por falar no Convento de Santa Clara, quando me sentava lá em cima, com os pés pendurados sobre a paisagem, assistindo à progressão da luz na torre da universidade, não sabia que futuro me esperava em Coimbra.
No ano passado, ao chegar ao Café Santa Cruz para apresentar um dos meus livros, sabia bem que, antes, não poderia sequer imaginar que algum dia teria livros escritos, menos ainda que iria falar sobre eles no sumptuoso Café Santa Cruz. Além disso, entre os rostos: o meu filho quase adulto, antigos colegas da escola da Lousã, antigos vizinhos de Celas e amigos com quem pintava paredes da cidade contra isto e contra aquilo.
O meu passado em Coimbra ainda não acabou, está todo aqui. Além disso, existe também todo um futuro que me espera. Neste momento, não sei como será. Sei que vou ao seu encontro, essa certeza é tudo o que preciso.


José Luís Peixoto,
 in revista UP (Outubro, 2015)




O futuro em Coimbra poderá passar por um beijo clandestino saltitado pelos degraus da escadaria monumental!

 E depois?

                                            Lola

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Distantemente juntos


Distantemente juntos

Naquele dia, Rita voltara ao emprego como habitualmente fazia desde que as férias terminaram!
Acordou manhã cedo e sentiu o frio que fazia là fora e, por isso, vestiu-se apressadamente sem escolher, como fazia todas as noites o colar, os brincos e os aneis que combinaria com a sua roupa!
Porém, naquela manhã, e porque cheirava a dia de outono, vestiu de bordeaux que sempre foi uma das cores, a par do vermelho, que lhe caia bem!
Rua fora dirigiu-se à empresa e assistiu a todas as reuniões da manhã que correram normalmente como pensara!
Afinal, este preparava-se para ser um dia normal na vida profissional de Rita, que gosta do que faz embora tenha muita saudade de um futuro que lhe pode trazer de novo afectos doces do passado recente!
Antes de sair para almoço, Rita, como habitualmente faz, passou pela direcção para saber se havia algo e....
...ao passar o pequeno hall de entrada, encontra o olhar de Pedro que lhe diz:" Espera um pouco que jà falamos..."!
Sentiu o coração bater forte como quando era adolescente e parou ao ver o sorriso axadrezado e moreno daquele que, nos ultimos anos povoa a sua afectividade platonica.
Rita recuou e ficou estupefacta pensando que era imaginação sua! Que faria Pedro ali se, hà alguns anos, foi deslocado de empresa, ocupando profissionalmente outros espaços?
Ainda falava com alguém que lhe perguntara algo acerca de uma reunião, quando repentina e docemente, jà tinha Pedro nos seus abraços fundindo-se num abraço doce de saudade ausente, que se deseja e faz presente cada vez que se encontram!
Pedro e Rita pararam tanto quanto lhes foi possivel naquele momento terno (que Rita quer ia eterno) sentindo o corpo do outro num desejo de estar um pouco juntinhos!
Por instantes, alhearam-se de tudo o mais que se ia passando à sua volta... mas rapidamente foram interrompidos pelas saudações de quem ia passando e cumprimentava Pedro que não passava pela empresa hà meses desde que, hà dois anos, foi para outro espaço exercer aquilo que tão bem sabe fazer: formar pessoas!
Entre cumprimentos de algumas pessoas, Pedro e Rita foram saindo da empresa! Pedro contara que ia telefonar a Rita, mas que ao entrar na empresa perguntou se ela jà tinha chegado e, como lhe disseram que sim, sabia que momento mais cedo ou mais tarde a encontraria!
Falou do seu novo desafio profissional, que ele esperava corresse bem e de uma "Estrelinha" que do céu o protege e acompanha! Mostrou desejo de voltar a esta empresa onde (con)viveu perto de uma dezena de anos! 
Rita pensou baixinho...como as empresas pertencem à mesma multinacional, muito provavelmente, mais tarde ou mais cedo isso acontecerà...
Rita gostaria tanto de ver e conversar com Pedro mais vezes! No entanto, reconhece que a distância adoça os encontros e envolve suavemente em eternidade a espontaneidade dos seus olhares e abraços de que ela tanto gosta!





Desceram a escada...Pedro colocou o braço no ombro de Rita que o enlaçou, (era a sombria necessidade de o não deixar partir), pela cintura como que dizendo que a cumplicidade mora no laço dos corpos saudosos!
Depois...bem depois foi uma ou outra confidëncia de quem não se separa de memorias de familia para se sentir resguardado de ventos e marès! Rita prometeu entregar-lhe, num proximo encontro, que poderà não tardar, "un petit coeur doréé" para sempre o acompanhar...
Pedro ficou feliz com o desejo de partilha de algo que é quase impartilhàvel...não fora do lado de là estar um ser de leveza e doçura invejàvel ...quase que unico e inimitavel!
Restava, para Pedro e Rita o abraço final!
Um beijo sentido em cada face...e um abraço dos melhores que Rita recebera ao longo da vida! Abraço de gratidão, de saudade agora colorida pelo encontro, de ternura doce, de palavras meigas, de eternidade que, desafortunadamente, findou naquele querer fusional!
Pedro pegou o seu carro e fez o seu percurso!
Rita dirigiu-se, a pè, estrada fora!
Que bom, Pedro teres vindo percorrer este caminho que nos torna juntos na distancia!
Que delicioso o nosso abraço de sol!


Para quando um abraço de MAR?





                                              Lola

domingo, 13 de setembro de 2015

Abracei o mar

Abracei o mar






Agradecer e Abraçar
Maria Bethânia
  

Abraçei o mar na lua cheia
Abraçei o mar
Abraçei o mar na lua cheia
Abraçei o mar
Escolhi melhor os pensamentos, pensei
Abraçei o mar
É festa no céu é lua cheia, sonhei
Abraçei o mar
E na hora marcada
Dona alvorada chegou para se banhar
E nada pediu, cantou pra o mar (e nada pediu)
Conversou com mar (e nada pediu)
E o dia sorriu...
Uma dúzia de rosas, cheiro de alfazema
Presente eu fui levar
E nada pedi, entreguei ao mar (e nada pedi)
Me molhei no mar (e nada pedi) só agradeci




E continuei pela orla do mar
caminhando na areia fina 
que se perdia entre os meus pes deliciosamente aquecidos pelo sol que nela se deitava!

Olhei o mar mais uma vez...
estendido areal fora...
até ao infinito doce e inalcancàvel!

Abracei-o como se fosse o teu olhar
e fiquei...no teu sonho
perdidamente até o mar se afastar levando segredos meus!
Docemente aveludados pelo teu ser de palavras deliciosamente calmas...

                                         Lola

És linda!




És linda!



És linda. E nem sabes quantos pedaços de beleza tive de juntar para chegar a esta conclusão. Para te construir, tive de misturar a conspiração das searas com a tristeza do choupo, a inquietação da cotovia com o cheiro lavado do vento do ocidente. E a firmeza repartida dos livros, com a alegria explosiva dos miosótis e a luz escura das violetas. Juntei depois um pouco de ansiedade das estrelas, a paciência das casas à beira da falésia, a espuma da terra, o respirar do sul, as perguntas de gesso que se fazem à lua. Acrescentei-lhe a canção das margens e pequenos pedaços da angústia do olhar. Não esqueci a intimidade do frio nem a dor branca que habita o coração dos muros. Por fim, deitei na tua pele o sono dos alperces, aos teus músculos prometi a violência das cascatas, no teu sexo acordei a memória do universo.
 
A tua beleza está no meu desejo, nos meus olhos, na minha desigual maneira de te amar. És linda, repito. Mas tenta não encarar o que te digo como um elogio.

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'


Também em ti vi essa beleza transbordante 
na 
doçura das palavras que chegavam 
sem gritos 
estridentes nem sons corcomidos pelo gosto 
grosseiro do insulto!
Em ti
sonhei o olhar transparente de ilusão que um dia 
se desvaneceu na distância que teima em nos 
aproximar!
Não...decididamente 
não
 juntei pedaços de mar e 
lua, de céu e montanha, de longe e de viagem para
 te sentir linda!

És linda como uma estrela que brilha no mar

sereno e pleno de espuma!






 És linda porque és a minha filha

que foi embora para o céu

mas que..
.
...continua, mesmo que distantemente, junto de mim!


Gosto tanto de ti, DIANA!


                                     Lola - Mãe

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Porque Hoje...




Porque Hoje...

Vi cinquenta e três ondas no MAR
confesso, 
contei-as uma a uma
porque sabia que estavas em cada uma delas
e na totalidade da força que as lançava
até mim!



Porque hoje é um dia teu

pego as estrelas uma a uma
 e desenho momentos de alegria 
feita seriedade quanto dela precisamos!
Poderia até desejar um sonho e escrevê-lo com o pé na areia humida do teu encanto
convencida de que...




estaria a conversar contigo aqui...





Ou tão simplesmente...

A passear à beira mar
Num mar que tem o azul 
moreno do teu sorriso!

                                             Lola